sábado, 13 de julho de 2013

Relatos de uma Esposa de Pastor (Parte 3)


                             Bom, a desconfiança surgiu, será que eu estava com malária?

Eu queria esconder que estava mal do meu esposo, mas nesse caso eu precisava da orientação dele.
Então contei tudo que estava sentindo, e sim, eu estava apresentando todos os sintomas.
Meu marido foi para a mesma aldeia que eu e não ficou doente, quando estava falando com ele, em seus olhos senti uma pequena decepção, acho que ele pensava que eu era muito mole.
Aquilo me doeu muito pois desda época do namoro e noivado eu sempre me empenhei para que ele me visse como uma mulher de Deus guerreira e forte!
Ele sempre me perguntava se eu estava pronta para fazer a obra em outro país, principalmente no nosso noivado.
Ele já tinha vindo para cá , antes de mim, foi na época que ficamos noivos, e nos falávamos somente por e-mail.
E ele com certeza sabendo como era o lugar e sempre me perguntava se era isso mesmo que eu queria, se eu estava pronta para larga a vida que eu levava no Brasil e viver em um lugar humilde.
E eu é claro, sempre dizia estar pronta, e realmente teoricamente eu estava, mas na prática , Deus ainda iria me preparar, não há preparação melhor do que viver a situação.

Fomos imediatamente para o Hospital daqui, é claro que os pastores tem plano de saúde, mas isso não é garantia de luxo aqui nesse país.

Chegando lá, fui examinada, e como sou bem curiosa quis saber como é a transmissão dessa doença, e descobri que foi através da picada da fêmea do mosquito anopheles.
Mosquitinho do mal!
O tratamento dessa doença não era nada de especial, apena tomar uns remédios  de uma substância chamada quinina. 
A primeira dose foi lá, e depois eu poderia continuar tomando em casa mesmo, seguido de total repouso.

É claro que meu esposo ficou preocupado, mas não podia parar a vida por minha causa, eu ia ter que me virar sozinha.

Meu estado de saúde foi informado ao Bispo responsável pelo lugar que estávamos e eu fiquei tão envergonhada, mal havia chegado e já estava debilitada, me sentia frágio e fraca! Isso me revoltava.

Em casa, estava sozinha da companhia do meu esposo, porém tinha a companhia das três esposas com quem eu morava,  foi a parte mais difícil da minha doença.

Não era só eu que me achava mole, as outras esposas também..
Eu era a mais nova e todas me viam como uma menina.
Não tinha ajuda de ninguém, como não tinha forças para me levantar, ás vezes só almoçava, pois era a única hora em que a esposa levava algo para eu comer.
Isso seguido de sermões de que eu deveria usar a fé e sair daquela situação, sem falar dos comentários , como o de que eu só queria ficar deitada sem fazer nada!
Bom, não é que elas eram más pessoas, eu até as entendo, elas estão aqui a tanto tempo e não estavão doentes e nem pressa a uma cama, e de certa forma sim, eu tinha que usar a minha fé!
E eu estava usando a fé só que, era Deus que queria que eu passasse por essa experiencia!
Você pode até pensar: como assim Deus queria?
É isso mesmo!

No Brasil eu sempre fui criada, com muita atenção, meus pais sempre fazia as minhas vontades, e eu não tinha que trabalhar ou nada do tipo.
Traduzindo, tinha uma vida fácil demais para alguém que desejava o altar..
Porém tudo que eu tinha de facilidade na minha vida pessoal, eu tinha em dobro de dificuldade na obra de Deus.
Sempre era difícil para mim alcançar algo, eu tinha que lutar muito, exatamente para dar mais valor!
Lutei muito para ter o Espirito Santo, lutei o dobro para ser levantada obreira (nossa quantas humilhações eu passei)
E lutei mais ainda para conseguir chegar a casar, não foi fácil, o Bispo não queria liberar o casamento, pois não queria que meu esposo casasse comigo, mas sim com uma moça aqui desse país.
Porém ele estava sugerindo e não mandando, então meu esposo pode escolher, e escolheu a mim, depois de quase um ano de noivado, alcançamos a nossa benção.

Por ser do tipo mimada, imaginem como foi para mim, ficar doente e não ter ninguém para cuidar de mim, eu tinha que me virar sozinha e ainda ouvir comentários desagradáveis.
Isso era Deus me fazendo amadurecer..

continua... 

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